sábado, 5 de setembro de 2009

Feel Good Band Theory


Música Comprimida


Começando o feriado de sol (acredita que ele aparece!). Me pergunto se existe anti-depressivo musical?

Assim, a perspectiva de três dias de ócio me deixa animado e tenso ao mesmo tempo. Sempre me sinto culpado por não ter descansado o suficiente ou não ter feito tarefas atrasadas.
Mas pelo menos é a chance de acordar na hora que eu quiser e ficar enrolando no quarto (quase sempre na frente do PC) e ouvindo música antes mesmo de pensar em passear o cachorro.

Deveria existir uma compilação pra esse estado de humor. Não existem aquelas "Love Songs" do Polishop/1406, com todas as músicas mais cafonas e clichês do universo? Essa poderia se chamar "Canções Para Gastar Tempo Livre" ou até "Canções Para Sábado De Manhã Sem Trabalho" (sim, eu trabalho aos sábados).

Bandas pra preencher uns dois CDs dessa imaginária coletânea já existem.
Se você subir um pouquinho no cabeçalho do blog e ler a citação, vai ver uma delas: The Wannadies.

Vindos da Suécia, famosos na Inglaterra nos anos 90, quase dominaram o mundo com "You And Me Song", da trilha sonora do "Romeu e Julieta" (aquele com o Leonardo DiCaprio).

Mas a minha Feel Good Song favorita deles é "Someone Somewhere". Dà uma olhada no vídeo aí em baixo:


Feel Good Band #1



Também suecos, o Suburban Kids With Biblical Names (genial, né?) tem no seu primeiro disco, chamado #3, uma coletânea inteira de Feel Good Songs, escolhi "Rent A Wreck" por ser a mais idiotamente animada:



Feel Good Band #2



Pensando bem, daria pra fazer uma coletânea só de bandas suecas mas vamos ampliar a abordagem.

Dos EUA, lembro de primeira do Papas Fritas. E ao ver o vídeo deles um momento de revelação acontece. Existe uma ligação entre todas as Feel Good Bands.

Acho que o conceito de Feel Good Band pode ser explicado assim:

- banda com pessoas de aparência estranha (pra ser bonzinho);
- músicas que lembram canções infantis do prézinho;
- total falta de pretensão e arrogância (faça cara de simpático e não de rockstar);
- depois de somar tudo, crie um nome bobo mas que grude na cabeça;

Pronto! Feel Good Band formada.

Olha os Papas Fritas e veja se não estou certo:



Feel Good Band #3



Americanos também, o Tilly And The Wall é de algum estado bizarro tipo Nebraska, onde só existe plantação de milho. Por isso o conceito "inovador" da banda: misturar sapateado com rock. Juro que adoraria dizer que me enganei, mas é isso mesmo: SAPATEADO COM ROCK.

Pelo menos em "Beat Control", as meninas da banda esqueceram um pouco essa idéia e fizeram uma ótima Feel Good Song, olha aí (a estética do vídeo é confusa, mas se fosse no Brasil, elas seriam de Tocantins ou algo assim, então dá um desconto):



Feel Good Band #4



Essa aqui eu conheci ontem na MTV, chama Hockey. De Portland, Oregon (esse seria mais parecido com Amazonas: o povo caça, tem bastante floresta, etc - os Dandy Warhols são de lá também), os jovens da banda parecem muito animados em terem conhecido Cut Copy semana passada.

O clipe de "Song Away" é cheio de clichês: o nerd que dança de forma bizarra e comete várias gafes, os hypes da galera que acabam imitando a dança dele, a menina nerd que vai fazer par com o rapaz, enfim, a história de qualquer filme adolescente. E falando sério, é BOM. Hahah.

Os teens que querem ser maduros e ouvir música com letras profundas e que levam à reflexão como as do Fresno e NX Zero, deveriam se permitir ser idiotas e gostar do Hockey. Eles seriam muito mais felizes.

Tá curioso? Assiste aí:


Feel Good Band #5


Quer saber? Vou fazer essa coletânea sim.

Na verdade, enquanto escrevia o post acabei fazendo, com capinha e tudo mais.
Dei o nome criativo de Feel Good Bands Vol.1. Só coloquei as cinco músicas que citei aí no post. Mandem sugestões pros próximos volumes.



Baixe Aqui




É isso então, aproveitem o feriado com música animada.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Head, Shoulders, Knees and Toes # 9 - THE JUNKIE DOGS

The Junkie Dogs


Quando o DDR tocou na Casa de Criadores em Maio, nós três ficamos curiosos em saber quem seriam as outras bandas a tocar.

Pra nossa surpresa, das seis selecionadas, no mínimo três (além da gente, claro. haha) eram muito boas. Cada uma com uma proposta de som bem diferente uma da outra.

Foi assim que eu conheci The Junkie Dogs. Quatro rapazes de Belo Horizonte: Rafael Ludicanti (vocais/guitarra), Flávio Seethrough Jones (bateria - eu não entendi a piada com os sobrenomes, alguém pegou?), Marcos Braccini (baixo) e Marcos Sarieddine (teclados) me impressionaram de verdade.

Vou voltar um pouquinho no tempo pra explicar melhor.
Acho que todos nós temos algum disco que sempre nos traz ótimas lembranças, ou mais que isso ainda, são marcos na nossa vida. Um dos mais importantes pra mim é o "Switched On" do Stereolab.


"Switched ME On"



Comprei esse disco por recomendação da Elaine da Bizarre e ficou lá, lacrado no meu quarto por uns dias. Depois de um dia ruim, abri o tal CD e coloquei no discman (precisei colocar o link, caso alguém não lembre o que é).

Ele simplesmente começa com Super-Electric, que até hoje é uma das minhas músicas favoritas. E a sequência é arrebatadora, de tirar o fôlego. Perfeito.

Fui descobrir na minha próxima visita à loja, que esse disco era apenas uma coletânea de singles e não um álbum de verdade. Sou fanático por Stereolab desde então, embora essa última fase bossa-nova gringa não faça muito minha cabeça, eles sempre mantém um nível bom nos discos.

Depois disso fui aprender que eles na verdade adoravam as bandas progressivas alemãs (isso sôa feio pra diabo), ou puramente Krautrock. E bandas como o Neu!, Faust e Can entraram pra coleção também.



"O Post Não Era Sobre Nós?"



Ok, essa foi longa. E o quê os Junkie Dogs têm a ver com isso?

TUDO. Olha essa frase tirada da resposta Shoulder:

"Sempre quisemos que os Dogs soassem como algo entre Portishead, The Kinks, Can, Sonic Youth e Velvet Underground. Tudo acabou ficando diferente, mas ainda gostaríamos de ser o Neubauten."

BINGO! Viu o Can e o Neubaten lá?

Quando se ouve os Junkie Dogs pela primeira vez, você lembra de Interpol. O vocal é parecido, as guitarras são parecidas, a estética da banda (vide foto acima) é parecida.

Não menosprezando o Interpol, banda que eu gosto bastante, mas os Junkie Dogs vão além. Ouça Brain Damage e comprove. Perfeita. Atmosférica, pulsante, sensorial e praticamente palpável.

Li no release oficial deles a seguinte frase:

"As experiências e pesquisas sonoras realizadas pelos Junkie Dogs em suas composições são antes a afirmação de um estilo que se desenvolve por toda a história da contracultura pop, sempre à margem do mainstream. Ou será que não?"


Achei meio arrogante. Mas depois vi, que era isso mesmo. Haha. E PIOR ainda, eu penso sobre o DDR do mesmo jeito. Nós três tentamos fazer música que nos emocione e nos diga alguma coisa. Banda independente no Brasil e que não sôa pop é suicídio. Porém, ao ouvir uma música que você mesmo fez e poderia ter sido feita por qualquer um dos seus ídolos é a melhor realização que se possa ter.


Junkies Porém Limpinhos




Tenhos CERTEZA que os Junkie Dogs sentem o mesmo orgulho. Parabéns rapaziada!

E por favor, alguém pode marcar um show do DDR e dos Dogs em Belo Horizonte pra ontem? Hahah.

Veja a entrevista com a banda e visite o Myspace deles pra conferir as músicas. Aí está, então:


Head - Como é o processo de criação dos Junkie Dogs?
The Junkie Dogs - O Ludicanti faz as músicas durante as madrugadas de insônia alcoólica megalomaníacas dele. Em geral ele chega com os arranjos prontos, ou semiprontos, nos ensaios. Às vezes ele mesmo grava os instrumentos em casa e envia pela net pro resto da turma. Agora, de onde ele tira aqueles absurdos, ninguém faz idéia. Acho que nem ele entende algumas das coisas que fez.
Mas a banda toda contribui, e vários amigos são convidados a contribuir nas composições e nos arranjos. Muitas parcerias acontecem espontaneamente em jam sessions.


Shoulder - Quais seus artistas favoritos e como eles influenciam na música de vocês?
The Junkie Dogs - Estamos ouvindo “She’s Lost Control”, do Joy Division exatamente agora, ao responder essa pergunta. Acho que a atmosfera misteriosa e colapsada da música pode caracterizar bem o que os Junkie Dogs fazem.
Sempre quisemos que os Dogs soassem como algo entre Portishead, The Kinks, Can, Sonic Youth e Velvet Underground. Tudo acabou ficando diferente, mas ainda gostaríamos de ser o Neubauten.
Essas bandas são indomáveis, viscerais, selvagens. Fazem o que querem e como querem.


Knees - Como vocês divulgam o trabalho da banda?
The Junkie Dogs - Diretamente pelos shows, em geral. Mas acho que nosso comportamento obsceno e pouco sutil contribui pra divulgar o que há de melhor na banda.


Toes - Qual a melhor e a pior parte de se ter uma banda?
The Junkie Dogs - O melhor é a diversão. Saber que estamos fazendo o que queremos, e não menos.
O pior é ser pressionado pelo mercado pra sacrificar a beleza pelo dinheiro.

Bonus Round - Hot Chip ou Elliot Smith?
The Junkie Dogs - Hot Chip.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Head, Shoulders, Knees and Toes # 8 - STOP PLAY MOON


Geanine, Ricardo e Paulo


Citar os anos 80 é praticamente um crime hoje em dia. Quando vejo flyers de festas com o temido termo, faço questão de passar longe. Anos 80 nessas festas significa tocar "Enjoy the Silence", "Bizarre Love Triangle" e alguma pra cantar junto, bem alto, como "Voyage, Voyage", "Tainted Love" ou a mais temida de todas: "Sweet Dreams" (arrepios!!!).

Mas a tão surrada década sempre vai ser emblemática por trazer os sintetizadores pra música pop. Kraftwerk, Giorgio Moroder, o pessoal da Disco Music, todos já haviam usado, mas música pop de verdade, de ouvir na FM ou ver sua tia cantarolando junto, foi só nos 80's mesmo.

Quando o Human League lançou "Dare!" em 81, tomou a Inglaterra de assalto. "Don't You Want Me" foi o single mais vendido daquele ano, fora os outros chart-toppers.



Human League



Duran Duran, Pet Shop Boys, Depeche Mode, Erasure e New Order fizeram com que os teclados fossem tão comuns numa banda como a batida e velha guitarra.

Aqui no Brasil, por motivos óbvios (reserva de mercado, pouco acesso a discos importados e um certo ufanismo-só-MPB-é-música-de-verdade da época), os teclados ficaram tímidos na formação de algumas poucas bandas. A nossa "new wave" com Blitz, Metrô e mais umas duas ou três conseguiram emplacar sucessos com o uso de synths.

Nos anos 90, tecladistas em bandas de sucesso eram raros, ou melhor, praticamente um crime inafiançável.

Como tudo na música vêm e vai, no começo dos 2000 uma nova onda synthpop surgiu. Ladytron lançou discos históricos ("604" e "Light & Magic"), depois veio Cut Copy e depois Hot Chip e tudo se misturou. Sintetizadores estão em todo lugar: nos hits da Beyoncé, com o Kanye West e bandas mais recentes como o Franz Ferdinand se "renovam" ao colocar mais sons sintéticos nas suas músicas.


"604"


"Light And Magic"


UFA. Agora posso falar do Stop Play Moon. Geanine Marques, Ricardo Athayde e Paulo Bega constróem suas faixas com muitos synths, batidas eletrônicas e uma guitarra e um baixo de vez em quando. O trio de São Paulo produz música que, se não for única, tem poucos pares por aqui.

Bem, tem um tal de Dark Disko Republik também, que fui informado, usam muitos synths.

A vocalista Geanine Marques fez carreira de sucesso como modelo e participou de outros projetos musicais da cena indie de São Paulo. Seu timbre é único e reconhecível de imediato, o que dá personalidade pra banda. O que me vem à cabeça quando os ouço é (só pra ilustrar): Róisin Murphy (Moloko), Fever Ray e The Knife.

Citam Cocteau Twins como influência e algumas musicas têm essa vibe "etérea" mesmo. Você pode ouvir 7 faixas no Myspace deles. Minha favorita disparado é The End.


Stop Play Moon - Ao Vivo em Londres



Já tocaram na Europa, em festivais importantes daqui (MOTOMIX) e em várias cidades do país.
Som de exportação? Talvez. Então, aproveite enquanto eles ainda estão por aqui.

Abaixo está a entrevista com Paulo Bega, tecladista e guitarrista da banda:

Head - Como é o processo de criação do Stop Play Moon?
Stop Play Moon - Um pouco como Cocteau Twins... Correio, cartas, etc... e a maioria das vezes encontros maravilhosos de muita inspiração.


Shoulder - Quais seus artistas favoritos e como eles influenciam na música de vocês?
Stop Play Moon - Nossa! São muitos... a maioria pós-punk, mas muita coisa da velha guarda antes dos brinquedinhos eletrônicos.


Knees - Como vocês divulgam o trabalho da banda?
Stop Play Moon - Myspace, blogs, Facebook, telegrama... hahah.


Toes - Qual a melhor e a pior parte de se ter uma banda?
Stop Play Moon - A melhor é poder viajar, conhecer pessoas e todo resto que está envolvido... a pior no momento é carregar os equipamentos... mas normalmente é tudo sempre bem legal.


Bonus Round - Hot Chip ou Elliot Smith?
Stop Play Moon - Acho que os dois... ambos têm ótimas referências.

domingo, 30 de agosto de 2009

KILLER TUNES #2 - "RHYTHM OF THE NIGHT"

Pra segunda edição dessa coluna, escolhi uma música no mínimo inusitada. Nem é recente, achei num playlist de uma comunidade no Orkut ano passado. Mas o que mais chama atenção são dois fatos:

1o) Uma banda ITALIANA, sim o Ex-Otago é de Gênova.
2o) É um cover de uma música muito famosa no começo dos 90: Corona - "Rhythm of the Night" (ela é brasileira, pra deixar a coisa ainda mais curiosa).


EX-OTAGO
moda praia 2009



Como se esses dois detalhes não fossem suficientes, a música ficou MUITO boa, mas muito mesmo. E ainda tem um vídeo genial.

Procurei por mais coisas deles e achei essa outra pérola: Amato, The Greengrocer.
Cantada em inglês de uma maneira que só italianos conseguem.

Se alguém tiver idéia do que significa o nome da banda, dá um toque.